At the end of every month, we will bring to you short interviews to IDL members (in English and Portuguese). The first interview is with Mafalda Carapuço.
Mafalda Carapuço – ex- PhD student in IDL and FCUL – defended her PhD thesis on the 22th of December of 2016. The title of her thesis is “Improving the transfer of coastal scientific knowledge: from concept to implementation”.

IDL – Mafalda, can you tell us what you did in your PhD?

Mafalda Carapuço (MC) – In my PhD I tested different strategies to communicate science aiming to foster the transfer of scientific knowledge outside of the scientific community. The last goal was to raise public understanding on coastal issues.


IDL – Can you summarize your achievements and tell us why are they important for the rest of us?

MC – The major achievement was the development of a conceptual model to guide scientists in transferring scientific knowledge to non-scientists. In this model four strategies for transferring scientific knowledge are identified: outreach, crowdsourcing, management-oriented tools and co-production. This model benefited from the experience gathered from different projects developed under my PhD, namely “The Beaches of Cascais: past and present” exhibition and “The Nazaré Wave: a trigger for learning” project. This model also highlights the importance of engagement and message framing in science communication. Engagement is related with intentional interactions that provide opportunities of development of closer links with the public and is ground on empathy. Framing involves translating scientific outputs into a language that is understandable and can be easily followed by non-technical audiences.
I believe this is important to all scientists that want to communicate science not only with non-scientists but also, in some cases, even among scientists themselves.


IDL – What do you think you will miss the most about being a PhD student? And the least?

MC – 
I will miss the most having time to study, to read. To me, this is a privilege.
The least, I guess, are the days before-and-after the PhD defense – it is hard to accept that all the efforts seem to finish on the day of the defense. The good news is that it doesn’t. The work I have been developing after I finished the PhD has been a continuance of the “PhD journey”.


IDL – What are you working on now?


MC – 
I’m working at Instituto Português do Mar e da Atmosfera in the project “Mar Portugal”, a new research vessel to carry out multidisciplinary marine research from coastal to ultra-deep areas. Besides this amazing opportunity, there is a possibility to participate in future projects related with ocean science communication. I’m very happy with these opportunities and aware that my professional and personal growths during my PhD helped me to get here.


IDL – Do you have any advice to give to:

students who are just starting their PhD?

MC – 
Find a theme for your PhD that you are passionate about. Then, define a plan that clearly identifies your goals and that includes time for both work and personal life.

students who are in the middle of their PhD?

MC – 
Re-define your initial plan – by this time you already are aware that time flies. Again, remember to include time for both work and personal life.

students who are about to finish their PhD?

MC – 
Re-define your latest plan including work. And let me remind you that very often in the finish line of the PhD, if you don’t stick to the plan, you won’t have a personal life at this stage – and this can be very hard to deal with. Also I would advise to find strategies to deal with “dead ends”. My strategy was to stay focus and never stop working even in those days that was very hard to move forward. It worked.

supervisors?

MC – Help students to define a plan that is ambitious but possible to achieve. Help them to keep in mind that there is a life after PhD and some decisions taken during PhD will affect their future.

The filming of the movie “The Nazaré wave: a trigger for learning”.
A filmagem do filme “A Onda da Nazaré: um estímulo para a aprendizagem”.

 

A partir de hoje e, no final de cada mês, trazemos-lhe entrevistas a membros do IDL. Mafalda Carapuço, ex-estudante de doutoramento do IDL e da FCUL, é a primeira entrevistada. A Mafalda defendeu a sua tese de doutoramento entitulada “ Promoção da transferência do conhecimento científico sobre a zona costeira: do conceito à implementação”, no passado dia 22 de Dezembro de 2016.


IDL – Mafalda, em que consistiu o teu trabalho de doutoramento?

Mafalda Carapuço (MC) – No meu doutoramento, testei diferentes estratégias de comunicar ciência, com o objetivo de potenciar a transferência de conhecimento científico para fora da comunidade científica. O objetivo final foi aumentar o conhecimento do público sobre a zona costeira e sobre os processos que aqui ocorrem e que conferem à zona costeira uma dinâmica muito particular.


IDL – Podes sumarizar os resultados obtidos no teu doutoramento e explicar porque é que estes resultados são importantes para todos nós?

MC – O principal resultado foi o desenvolvimento de um modelo concetual para orientar os cientistas na transferência de conhecimento científico tendo como público-alvo não cientistas. Neste modelo foram identificadas 4 estratégias distintas: a divulgação científica (outreach), a aquisição coletiva de dados (crowdsourcing), as ferramentas de apoio à gestão e a co-produção. O desenvolvimento deste modelo beneficiou da experiência obtida com os diferentes projetos nos quais estive envolvida durante o meu doutoramento, nomeadamente com a exposição “As Praias de Cascais: passado e presente” e o projeto “A Onda da Nazaré: um estímulo para a aprendizagem”. O modelo realça ainda a importância do engajamento (engagement) entre os principais atores e do enquadramento (framing) da mensagem na comunicação de ciência. O engajamento implica o envolvimento dos cientistas, não só na identificação do problema, mas também na sua resolução e beneficia da existência de (maior) empatia entre as diferentes partes envolvidas. O enquadramento da mensagem implica a tradução e disponibilização do conhecimento científico em dados e informação relevante para os outros atores através da utilização de uma linguagem e de canais de comunicação adequados.
Eu penso que estes resultados são importantes para todos os cientistas que queiram comunicar ciência não só com não-cientistas, mas também, em certos contextos, com os seus pares.


IDL – De que terás mais saudades dos teus tempos de estudante de doutoramento? E menos?

MC – Vou sentir saudades de ter tempo dedicado para estudar, para ler. Para mim, esta possibilidade é um privilégio. Creio que, do que terei menos saudades, são dos dias imediatamente antes e após a defesa do doutoramento – é difícil aceitar que todos os esforços parecem acabar no dia da defesa. As boas notícias são, que não acabam. O trabalho que tenho desenvolvido depois de acabar o doutoramento tem sido uma continuação da “caminhada do doutoramento”.


IDL – Podes contar-nos o que estás a fazer atualmente?

MC – Estou agora a trabalhar no Instituto Português do Mar e da Atmosfera no projeto “Mar Portugal”, um novo navio de investigação para fazer investigação marinha multidisciplinar desde a costa até áreas ultra-profundas. Além desta fantástica oportunidade, existe ainda a possibilidade de vir a colaborar em futuros projetos relacionados com comunicação de ciência sobre o mar e os oceanos. Estou muito contente com estas oportunidades e consciente que o meu crescimento, pessoal e profissional, durante o doutoramento ajudaram-me a chegar até aqui.


IDL – Tens algum conselho a deixar a:

estudantes que estão a começar o seu doutoramento?

MC – Encontrem um tema para o vosso doutoramento que vos apaixone. Depois, definam um plano que identifique claramente os vossos objetivos e que inclua tempo para a vossa vida pessoal e profissional.

estudantes que estão a meio do seu doutoramento?

MC – Redefinam o vosso plano inicial – por esta altura já se terão apercebido de que o tempo voa. Mais uma vez, lembrem-se de incluir tempo tanto para a vossa vida profissional, como para a pessoal.

estudantes que estão prestes a acabar o seu doutoramento?

MC – Redefinam o vosso último plano. Com o alerta que de, na reta final do doutoramento, se não se mantiverem fiéis ao vosso plano, podem não vir a ter grande tempo para a vida pessoal – e a ausência de tempo para a vida pessoal podem ser algo difícil de gerir. Aconselharia também a encontrarem estratégias para lidar com as “becos sem saída”. A minha foi manter-me focada e nunca deixar de trabalhar, mesmo nos dias em que tudo parecia correr mal era difícil avançar. Funcionou.

orientadores?

MC – Ajudem os estudantes a definir um plano ambicioso mas possível de atingir. Ajudem-nos ainda a não esquecer que há uma vida para além do doutoramento e que as decisões que eles tomarem durante o doutoramento irão afetar o seu futuro.