Joana Ribeiro recently delivered  her PhD thesis in Geophysical Sciences and Geoinformation. She is often in the field collecting not only, research data, but also stories to tell about interesting people and beautiful landscapes. She is the interviewee of this month in the rubric “Guess Who“.

(Versão Portuguesa no final da página)

IDL – Joana, can you tell us what does your research consist of?

Joana Ribeiro (JR) – I use the Magnetotelluric (MT) method to image the electrical conductivity distribution in two distinct areas in the Variscan belt in Portugal: Pinhel-Trancoso (Beira Interior; NE Portugal) and Grândola-Serpa (Alentejo; SW Portugal). The aim of this research is to detect and characterise the main large-scale Variscan structures, as well as the geometry of the plutons and major late faults.

 

 

IDL – Can you summarize the achievements of your research and why are they important for the rest of us?

JR – For the first time, geophysical information was collected in the Pinhel-Trancoso area, providing the first insight on the electrical conductivity in depth of this region of the Variscan Orogen. The 2D inversion model revealed the resistivity structure of the continental crust up to 10 km depth. These results were combined with recent geological information collected by geologists, contributing to a better understanding of the region.
From 1997 to 2002 a total of 149 MT stations were collected in the south of Portugal. With the development of new data processing methodologies and new inversion algorithms, I was able to reprocess 68 MT stations and perform the first 3D inversion in the SW of Iberia. These results contributed to a more detailed information on the resistivity distribution in this area.

IDL – You do a lot of fieldwork. Can you briefly explain what it consists of?

JR – In applied geophysics, it is necessary to go to the terrain to collect the data for our research. This could take weeks or even months, depending on the size of the study area and the chosen methodology.  It is the moment that most applied geophysicists hanker for: a little bit of fresh air (or cold and rain). In the office we make the effort to plan everything and anticipate what could go wrong, but once we are in the field, it rarely goes as planned.
In the field work, you have the opportunity to deal with situations that in your normal life you never thought about. You learn to be resourceful, diplomatic and to think outside the box. Oh, and one cannot forget: one day of applied geophysics fieldwork corresponds to a week of gym!

IDL – Which was the most interesting place this fieldwork took you to? Do you have any funny story about these scientific missions to share with us?

JR – The most interesting place I have been on fieldwork? I cannot answer this question, because it is impossible to choose just one. I think I never returned from a fieldwork without at least a hand full of stories to tell. Invite me for a cup of coffee and I will stay the all afternoon telling you stories about animals destroying our work, interesting people we met, funny situations, amazing places that a “normal citizen” would never think and/or had the opportunity to go.

IDL – Do you have any advice to give to students who are just starting their PhD?

JR – 
I will tell you what a friend of mine told me when I started my PhD: “Be ready, this is going to be a long roller coaster ride full of emotions”. A PhD is full of ups and downs, but one should never give up, if it is really one’s dream. Some friends and loved ones may not understand our daily “problematics” or get excited when we are super euphoric because we found a solution for a problem that took hours of our sleep. However, there will always be a friend/colleague that has been through the same and who will be our moral support throughout this “journey“.


Joana Ribeiro entregou recentemente a sua tese de doutoramento em Ciências Geofísicas e da Geoinformação. Frequentemente, podemos encontrar a Joana em trabalho de campo onde recolhe, não só dados para a sua investigação, como também histórias de sítio idílicos e de encontros improváveis. Ela é a convidada do mês de junho da rubrica “Quem é Quem?“.

IDL – Joana, em que consiste o teu trabalho de investigação?

Joana Ribeiro (JR) – Utilizo o método Magneto-telúrico (MT) para a imagem da distribuição de condutividade elétrica em duas áreas distintas do Orógeno Varisco em Portugal: Pinhel-Trancoso (Beira Interior; NE Portugal) e Grândola-Serpa (Alentejo; SW Portugal). O objetivo desta pesquisa é detetar e caracterizar as principais estruturas de grande escala do Orógeno Varisco, assim como a geometria dos plutões e principais falhas tardias.

IDL – Podes sumarizar os resultados da tua investigação e explicar porque é que esses resultados são importantes para todos nós?

JR – Na área de Pinhel-Trancoso foram adquiridos pela primeira vez dados geofísicos, obtendo-se assim o primeiro conhecimento da condutividade elétrica em profundidade nesta região do Orógeno Varisco. O modelo de inversão 2D revela a estrutura de resistividade da crosta continental até 10 km de profundidade. A combinação destes resultados com recentes informações geológicas coletadas por colegas geólogos, contribuiu para uma melhor compreensão dessa região.
Entre 1997 e 2002, foram adquiridas 149 sondagens de MT no sul de Portugal. Com o desenvolvimento de novas metodologias de processamento de dados e novos algoritmos de inversão, reprocessei 68 estações MT e realizei a primeira inversão 3D no SW da Ibéria. Estes resultados contribuíram para uma informação mais detalhada da distribuição da resistividade nesta área.

IDL – Realizas muito trabalho de campo durante a tua investigação. Podes explicar-nos em que consiste esse trabalho?

JR – Em Geofísica aplicada, é necessário ir para o terreno recolher dados para a nossa investigação, o que pode demorar semanas ou meses, dependendo da metodologia utilizada e da dimensão da área do terreno estudada. É um momento muito aguardado pelos geofísicos: o apanhar ar fresco (ou chuva e frio). No escritório, esforçamo-nos para planear tudo e antecipar o que poderá correr mal. No entanto, quando chegamos ao campo, raramente as coisas se processam da maneira que planeámos. É uma oportunidade única para aprender a lidar com situações com as quais nunca nos depararíamos na nossa vida normal. Aprendemos a ser engenhosos, diplomatas e a pensar fora da caixa. Ah, e não esquecer: um dia de trabalho de campo em geofísica corresponde a uma semana de exercício no ginásio.

IDL – Qual foi o local mais interessante a que o trabalho de campo te levou? Tens alguma história engraçada para partilhar connosco acerca destas missões científicas?

JR – Não consigo responder a esta questão, porque é impossível escolher um só sítio. Acho que nunca voltei de um trabalho de campo sem ter uma mão cheia de histórias para contar. Se me convidarem para um café, passarei a tarde a contar histórias sobre animais que destruíram o nosso trabalho, pessoas interessantes com quem nos cruzámos, situações engraçadas, lugares fantásticos que uma “pessoa normal“ não imagina e/ou alguma vez terá oportunidade de visitar.

IDL – Tens algum conselho a deixar a estudantes que estão a começar o seu doutoramento?

JR – Vou citar o conselho que uma amiga me deu, quando comecei o doutoramento “Prepara-te, vai ser como uma longa viagem de montanha-russa, cheia de emoções”. O doutoramento está cheio de altos e baixos, mas não devemos desistir, se esse é o nosso sonho. A família e os amigos mais próximos nem sempre vão perceber os nossos problemas ou entusiasmarem-se com aquilo que nos deixa eufóricos, como encontrar soluções para os desafios com que nos deparamos e que nos tiram muitas horas de sono. No entanto, há sempre um amigo/colega que passou pela mesma situação e que será o nosso apoio moral nesta “viagem”.